quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Golpe em Honduras


Oficializada a farsa eleitoral em plena ditadura militar


No último domingo, 29 de novembro, se realizou a farsa eleitoral em Honduras. A noite anterior ao dia da eleição foi de tensão, detenções e terror. Existem relatos de detidos, feridos, e hostilização geral em Tegucigalpa, Santa Barbara, El Paraiso, San Pedro e outros lugares. Os locais de votação estiveram todo o tempo com uma forte presença policial e militar. Além disso, os aeroportos do país estavam sob controle militar, e fechados para todos os vôos. Pelo menos 38 pessoas foram detidas no dia das eleições, segundo a Frente de Resistência. Funcionários públicos foram ameaçãdos de demissão caso não apresentassem o comprovante de votação e há várias denúncias que homens à paisana entraram em casas e intimidavam as pessoas para irem votar. Todas as organizações de direitos humanos presentes no país denunciaram violações dos direitos humanos, com exceção da de Israel, que disse que correu tudo bem (o governo golpista tem esgotado os recursos do país comprando armas de Israel para sustentar o golpe).

A abstenção eleitoral predominou. Menos de 40% da população de Honduras foi votar, o que demonstra que a população não reconhece essas eleições, realizadas em uma ditadura militar. A imprensa não conseguiu registrar imagens das votações na parte da manhã, porque simplesmente os locais de votação estavam vazios, embora a justificativa tenha sido de que as urnas estavam atrasadas. Os únicos locais mais cheios eram os de bairros ricos. O Tribunal Eleitoral de Honduras ainda prolongou por uma hora o horário de votação para tentar aumentar o número de votantes.

O resultado dessa farsa deu "vitória" para o candidato Porfírio Lobo do Partido Nacional, com 19,5% dos votos totais. Porfírio Lobo é um grande proprietário de terras em Honduras e já foi presidente do Congresso. Na assinatura do acordo de livre comércio entre Estados Unidos e Honduras em 2005, Lobo disse que iria manter movimentos sociais e sociedade civil informada sobre os pontos do acordo, mas manteve as negociações em segredo. O mesmo aconteceu quando a água em Honduras foi privatizada: manteve as negociações e a data da privatização em segredo, impedindo a luta dos movimentos sociais.

No domingo das eleições, membros da Frente de Resistência e da COFADEH realizaram uma coletiva de imprensa, onde denunciaram as violências cometidas nos últimos dias, e afirmaram que de nenhuma forma se poderia esperar um processo eleitoral transparente nessas condições. Afirmaram ainda que a única solução seria a convocação de uma Assembléia Constituinte. A estratégia da Frente foi recomendar à população que não saísse de casa enquanto acontecesse as eleições, para evitar hostilizações por parte da polícia e militares. No fim do dia das eleições, a Frente realizou uma caravana em Tegucigalpa que contou com mais de 300 carros (numa tentativa de evitar repressão), para comemorar o alto índice de abstenção e reafirmar a continuação da resistência contra o golpe de Estado.
Retirado de Midia Independente

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